Existem amigos e amigos. Nunca me conformei muito com isso, mas é verdade. Tem gente que diz que te adora, jura de pé junto que é seu amigo e na hora H sai de fininho. Tem gente que diz que se identifica demais com você, que é muito parecido com você e na hora que você precisa desabafar a pessoa só sabe falar de seus próprios princípios. Desculpa, você não é igual a mim. Eu ouço e se você tem um problema me desdobro pra ajudar. É por isso que hoje em dia não são todos que considero amigos. Tem muita gente por aí que só sabe levar embora o que você tem de bom e que sempre quer ser melhor que você. Acho isso tão mesquinho. Não sou uma amiga perfeita, erro mesmo. Me afastei de alguns amigos depois que comecei a namorar, e todo mundo se afasta depois que começa a namorar. Fiz coisa errada e reconheço, peço desculpa. Mas aprendi que para ser amigo não precisa ser colado com Bonder. Tenho amigos ótimos e queridos que não falo todos os dias, mas que amo e sei que posso contar. Tenho pouco tempo livre e o tempo que me resta uso para organizar minhas coisas. Não tenho tempo para fazer jantares todos os dias, nem para reunir todos os sábados. Tenho uma vida nem sempre divertida de adulto, mas que gosto. Fiz muitos amigos nos últimos anos, gente do bem que posso contar a qualquer hora. E também conheci muita gente que só sorri quando quer, só empresta o ouvido quando quer, finge preocupação quando quer. Isso é amizade? Não, não é. Mas hoje eu sei, ainda bem.
— Clarissa Corrêa (via cuida-de-quem-te-cuida)